FESTIVAL LITERÁRIO - LOURINHÃ

terça-feira, 10 de maio de 2016

Às 05:22 por Unknown   Sem comentários


Mais actividades, mais público, mais autores, mais espaços utilizados e mais escolas envolvidas. A quinta edição do Festival Literário “Livros a Oeste”, que decorreu na Lourinhã de 3 a 7 de Maio, revelou que este é um evento com um futuro garantido, crescendo de uma forma sustentada.

Com um programa mais alargada do que em edições anteriores, o festival teve a participação de cerca de duas mil pessoas. No total, estiveram presentes 42 autores convidados. Outro sucesso foi a instalação da feira do livro numa tenda em frente aos Paços do Concelho, o qual permitiu que esta fosse visitada por muito mais pessoas.


Para o vereador da Cultura, Fernando Oliveira, esta quinta edição demonstra a sua consolidação, mas foi também “um ponto de partida para o enriquecimento ainda maior do Festival”. Em 2016 decidiram alargar a área de intervenção do Festival, dando-o a conhecer de uma forma mais aberta.

O vereador destacou a importância de trazer vários autores à Lourinhã, os quais, na sua maioria, não ficam apenas para as suas sessões, mas acabam por ficar mais tempo e conhecerem melhor a vila. “Temos tido alguns autores que, ao longo do ano, têm vindo várias vezes e prolongado a sua estadia”, referiu.

Apesar da dimensão do concelho e e das condicionantes financeiras, a Câmara da Lourinhã pretende continuar a investir neste evento, sobretudo de uma forma criativa, com novas iniciativas. “Não pretendemos ser um festival de massas, mas sim algo mais intimista”, explicou.

Durante o Festival, a Câmara da Lourinhã fez ainda um investimento na aquisição de livros, dos autores presentes, para a Biblioteca Municipal. “Todos nós vamos beneficiar desse investimento”, afirmou o vereador.

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Às 13:30 por Unknown   Sem comentários

 
Mário Zambujal, João Morales e João Gobern
O estado actual do Jornalismo em Portugal foi o tema principal da última sessão de debate do Festival Literário “Livros a Oeste”, na tarde de 7 de Maio, que juntou Mário Zambujal e João Gobern, no auditório do Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira.


Os dois jornalistas e escritores, não esconderam a sua desilusão perante a actual situação do Jornalismo, não só pela forma como se mistura opinião com informação, mas também pela falta de cuidado no que se escreve e no português correto. “É aterradora a falta de conhecimento e de memória nas redações”, considera João Gobern.
Uma ideia partilhada com Mário Zambujal, que acha que as novas gerações estão muito desacompanhadas quando começam a sua carreira como jornalistas.


“As novas gerações são tratadas como ‘carne para canhão’”, lamentou João Gobern, que disse nunca ter aceite que os estagiários não fossem remunerados.


Para os mais velhos a situação não será melhor. Segundo João Gobern, “da minha geração, 80% daqueles que considero como sendo bons, estão afastados do Jornalismo”.


A conversa começou, no entanto, com as boas recordações do jornal “Sete”, do qual ambos foram diretores. João Gobern destacou a participação de Mário Zambujal neste projecto, tendo em conta que foi o seu fundador e primeiro director. Os dois recordaram histórias, de outros tempos em que os jornais tinham uma maior influência na sociedade portuguesa.


Em relação à literatura, debateu-se ainda o fascínio de muitas personalidades famosas em apresentarem livros e, ao mesmo tempo, proliferação dos “escritores-fantasmas” que escrevem em nome de outras pessoas. "Começam a ser editados demasiados livros cujo nome dos verdadeiros autores nunca serão conhecidos", lamentou Mário Zambujal.
Às 10:23 por Unknown   Sem comentários

João Morales e João de Melo
O vencedor do Prémio Literário Vergílio Ferreira 2016, João de Melo, esteve na Lourinhã para apresentar o seu último livro, “Os Navios da Noite”, no auditório do Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira, no passado sábado, 7 de Maio.


Do livro fazem parte 18 contos, dedicados aos vencidos da vida. O escritor açoriano, que participou ainda noutras iniciativas do Festival Literário “Livros a Oeste”, explicou que estas 18 histórias têm a uni-las o facto de serem sobre gente que não venceu, mas mantém a sua dignidade.


A propósito dessa explicação, o moderador da sessão, João Morales, lembrou a forma como a História é sempre contada pelos vencedores, sendo esquecido o papel dos vencidos, e deu o seu ponto de vista sobre os vários contos do livro de João de Melo.


“É um livro um pouco melancólico e em que, muitas vezes, é a realidade que se move e não o protagonista”, considera o jornalista e programador do Festival.


João de Melo confirmou que este é um livro sombrio, que reflecte também o período que o país está a viver. “Estamos a viver uma noite, com demasiadas sombras sobre a nossa cabeça”, disse.


O escritor fez questão ainda de referir na sua alocução que estava muito satisfeito por ter sido convidado para este festival literário, elogiando a forma como a Lourinhã sabe receber os visitantes e a proximidade que tem com os livros e escritores.
Às 09:21 por Unknown   Sem comentários

Um interessante trabalho sobre os moinhos no concelho da Lourinhã, da autoria de Vera Silva, resultou no livro “Moinho do Xico”, lançado no passado sábado, 7 de Maio, no último dia do Festival Literário “Livros a Oeste”. A sessão contou com um apontamento lúdico de promoção do Património Imaterial associado aos moinhos, com a leitura de poemas e ditados populares, por elementos do público presente, muitos deles amigos e familiares.


O presidente da Câmara da Lourinhã, João Duarte Carvalho, fez questão de apresentar a autora, a quem felicitou pelo trabalho realizado, aproveitando para salientar a importância do dos moinhos na região. 


Recentemente foi aprovada uma candidatura dos Moinhos de Vento do Oeste Português a Património Mundial da UNESCO, a qual será preparada em conjunto pelas câmaras da Lourinhã e Torres Vedras.

Vera Silva


O moinho retratado no livro é um dos quatro existentes na Pinhôa (Moita dos Ferreiros) e propriedade dos avós da autora (Teresa e Xico). “É um moinho quase centenário, tem 94 anos, e eu tive o privilégio de conhecer o seu fundador, o meu bisavô”, adiantou Vera Silva. A escritora lembrou que estes moinhos são “uma imagem de marca do concelho da Lourinhã que corre o mundo”.


Segundo Fátima Quintans, técnica da Câmara Municipal da Lourinã, o livro nasceu de um trabalho de escola de Vera Silva, tendo suscitado tanto interesse que acabou por ter o apoio da Junta de Freguesia de Moita dos Ferreiros e da Câmara Municipal, tendo esta última, editado a obra.


“Depois do trabalho da escola, fui continuando a tirar fotografias e aprofundando conhecimentos. O meu avô explicou-me sobre o funcionamento do moinho e para que é que serviam os utensílios, enquanto que eu escrevia”, contou Vera Silva, que deixou um convite a todos para visitarem o seu avô.

No dia 14 de Maio será feita a apresentação do livro na Junta de Freguesia da Moita dos Ferreiros. Presente no lançamento no dia 7, a presidente da Junta, Maria do Rosário Bento, também felicitou o trabalho e persistência de Vera Silva, até porque consegue fazer uma homenagem aos avós e ao mesmo tempo dar a conhecer muita informação sobre os moinhos de vento.
Às 01:44 por Unknown   Sem comentários


O grupo de teatro T’AMAL levou a poesia ao Mercado Municipal da Lourinhã, na manhã de 7 de Maio, num original “Flashmob” que juntou uma série de atores.


A “invasão” do mercado deu-se de uma forma divertida, com vários pregões à mistura e poemas de António Aleixo e Mariano Vicente, um poeta lourinhanse. 

Segundo Fernando Rodrigues, elemento do grupo de teatro da Associação Musical e Artística Lourinhanense, o objetivo da iniciativa foi levar a cultura ao mercado e, ao mesmo tempo, dar um maior movimento ao espaço.



Às 01:43 por Unknown   Sem comentários

Sara Raposo, finalista do curso de Animador Sócio-Cultural da Escola de Serviços e Comércio do Oeste, dinamizou, na manhã de 7 de Maio, uma ação destinada a bebés, na Biblioteca Municipal da Lourinhã.


Com recurso a uma almofada sensorial e a vários bonecos, o objectivo foi o de despertar os sentidos dos bebés, enquanto era uma contada uma história sobre a Arca de Noé.

“Eu reparei que não existem muitas atividades para os bebés, ao contrário do que acontece com as crianças mais velhas, e resolvi investir nesta área na minha prova final do curso”, explicou.


Sara Raposo já tinha estagiado na Biblioteca Municipal da Lourinhã e para a preparação deste projecto fez uma série de pesquisas em relação às atividades para bebés, para além de ter contado com a ajuda dos professores.




Às 01:42 por Unknown   Sem comentários



A propósito da reedição de “Não Percas a Rosa”, de Natália Correia, a Biblioteca Municipal da Lourinhã foi palco de uma intensa conversa sobre a autora e a sua vivência antes e depois do 25 de Abril, no período quente do PREC (Processo Revolucionário em Curso).


A corajosa reedição da “Ponto de Fuga”, uma editora criada em 2014 por Vladimiro Nunes, foi muito elogiada pelos escritores Vergílio Alberto Vieira e João de Melo, oradores desta apresentação.

João de Melo

 “Esta é uma edição de grande coragem. É um livro compacto, polémico e muito personalizado na figura de Natália Correia”, referiu João de Melo, explicando que se trata de uma obra muito singular.


O livro está dividido em três partes, sendo a principal o diário de Natália Correia do período entre a noite de 24 de Abril de 1974 e 20 de Dezembro de 1975, no qual acompanha a revolução portuguesa. Paralelamente ao diário, fazem parte do livro também uma selecção de crónicas publicadas nessa altura no jornal “A Capital” e um anexo com vários manuscritos da época.


João de Melo, que foi amigo de Natália Correia, contou vários episódios caricatos que viveu com a poetisa, os quais demonstraram a forte figura que esta era. O escritor salientou ainda que Natália Correia, que foi também deputada na Assembleia da República, tinha um trabalho multifacetado, que ia do Teatro à Poesia, incluindo investigação literária e o romance.

Virgílio Alberto Vieira


Embora não tenha conhecido pessoalmente Natália Correia, o poeta Virgílio Alberto Vieira disse ter descoberto melhor “o universo” da escritora, depois de ter conhecido o seu ex-companheiro, Dórdio Guimarães. “Foi uma mulher que se assumiu como tal e que pagou caro a sua rebeldia antes do 25 de Abril, mas também depois”, disse.


“Ela tinha um estilo inconfundível e uma grande capacidade de mudar de género literário sem por em causa a sua qualidade e o alcance do seu discurso”, concluiu.

Vladmiro Nunes

Vladmiro Nunes, da “Ponto de Fuga”, fez questão de explicar que para si fazia todo o sentido de publicar este livro, por este falar sobre o valor absoluto da Liberdade. O editor contou ainda que, pelo que viu no espólio de Natália Correia, a maior parte da escrita que aparece do diário foi feita de forma espontânea e teve poucas correcções.

domingo, 8 de maio de 2016

Às 01:45 por Unknown   Sem comentários


“A Realidade vai ao Ginásio” foi o tema da conversa que juntou no auditório do Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira, na noite de 7 de Maio, Filipe Homem Fonseca, Vergílio Alberto Vieira, Rui Zink e João de Melo
.

Os quatro autores, cujo talento vai muito para além da escrita, tiveram uma longa conversa acerca da forma como por vezes a ficção parece prever o futuro.

Filipe Homem Fonseca

Um dos exemplos, foi dado por Filipe Homem Fonseca, que escreveu sobre um piloto que se suicida despenhando o avião nos Alpes, antes que isso acontecesse na realidade. “Aquilo que eu pensava que era uma ideia rocambolesca e terrível, acabou por acontecer mesmo”, referiu o escritor.

Rui Zink
Para Rui Zink, há duas tradições de escrita em Portugal que começaram com as Cantigas de Escárnio e Maldizer, de um lado, e as Cantigas de Amor, do outro. No seu caso, o que lhe interessa são os textos que comentam a realidade.

João de Melo referiu a importância da voz que o próprio leitor tem nos livros. “Eu quando termino um livro fico com a ideia de que só terminei meio livro, porque este só está completo quando passa para o lado de lá”, afirmou. O leitor torna-se assim um interlocutor invisível.Uma ideia partilhada por Rui Zink, o qual acha essencial que o leitor consiga “ouvir vozes” enquanto está a ler um romance.
João de Melo
Em relação ao tema em discussão, João de Melo ironizou com o facto de ser a realidade “que nos obriga a ir ao ginásio porque, volta e meia, nos põe KO”.

Vergílio Alberto Vieira falou ainda sobre a forma como os desgostos pessoais da sua vida fizeram com que fosse escrevendo diários, publicados em livro.
Vergílio Alberto Vieira

sábado, 7 de maio de 2016

Às 08:56 por Unknown   Sem comentários
Vladimiro Nunes e Fátima Fonseca

O ursinho Petzi, da série de banda desenhada dinamarquesa de Carla e Vilhelm Hansen, foi reeditado em Portugal pela Ponto de Fuga, cujo editor, Vladimiro Nunes, esteve na Biblioteca Municipal da Lourinhã, na manhã de 6 de Maio, a apresentar esta colecção.

Esta foi a primeira produção da editora, criada em 2014 por Vladmiro Nunes, ex-jornalista do semanário Sol, e a sua mulher, Fátima Fonseca. “Foram os primeiros livros que lemos quando tínhamos a vossa idade”, explicou o editor às crianças presentes na sessão.

Há muitos anos que esta banda desenhada tinha desaparecido em Portugal e o casal fez questão de a tornar disponível às novas gerações, até porque também têm um filho.




Às 08:51 por Unknown   Sem comentários


A poesia como um caminho ou vários caminhos para a poesia – poderia ter sido o ponto de partida para a sessão da manhã de sexta-feira na Escola Secundária da Lourinhã. À conversa estiveram três poetas da nossa língua – João Rios, Rita Taborda Duarte e o lourinhanense Tiago Quintans, que começaram por partilhar com a plateia três poemas – “Pastelaria” de Mário Cesariny, “Complexos” de Nuno Júdice e “Não dês esmola aos santinhos” de António Aleixo.

Da influência de outros autores à espontaneidade da construção poética, passando pela poesia enquanto espaço de liberdade absoluta e, muitas vezes de pureza infantil, foram alguns dos temas que os autores abordaram ao longo desta conversa que reensinou a plateia “a olhar para as palavras”.


João Rios

 “O que me justifica enquanto humano é a poesia” – foi como João Rios descreveu este relacionamento vital, revelando que a voz da sua avó “Guida” lhe mostrou o caminho do encantamento das palavras. Para João Rios, a  poesia é “dona de todos os fascínios e de todas as possibilidades”. “A poesia é o mais próximo do absoluto da liberdade”, disse.

Rita Taborda Duarte
A Rita Taborda Duarte agrada-lhe o trabalho de construção poética, do poeta enquanto construtor de palavras, com um olhar muito próximo do olhar infantil, marcado pelo espanto das palavras. A poetisa afirmou que “quando se faz poesia faz-se um braço de ferro com a nossa língua”. Mais tarde referiu que nos primeiros livros fazia um jogo lúdico com as palavras, pontuado, inclusive, por uma certa estratégia de humor.


Tiago Quintans

Tiago Quintans acredita na poesia enquanto forma de intervenção, que tem “um efeito prático” na transmissão de mensagens sociais.

A preparar o seu primeiro livro, o autor brindou o público com dois momentos de improvisação.

Numa cadência quase musical, ou não fosse Tiago um rapper, tocou, com as suas improvisações, temas prementes da nossa sociedade, numa registo crítico, em jeito de desafio ao pensamento divergente, à mudança do status quo.




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Cristina Taquelim, escritora e mediadora de leitura da Biblioteca Municipal de Beja, esteve no auditório do Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira, para duas interessantes sessões de promoção de leitura para crianças do pré-escolar.

A biblioteca municipal de Beja tem uma longa tradição neste género de actividades, trabalhando com crianças e adultos de uma forma regular.

Segundo Cristina Taquelim, tem sido feito um trabalho com coerência, envolvendo o maior número de pessoas, incluindo bebés. “Acreditamos que o trabalho deve começar o mais cedo possível”, explicou.

O trabalho é feito em torno das palavras, encontrando a partir daí espaço para a partilha e para os afetos, por exemplo, recuperando antigas cantigas de embalar que foram esquecidas.


Para a Lourinhã trouxeram uma série de histórias, nomeadamente contaram contos populares e apresentaram livros de imagens, havendo ainda espaço para “desenho de poesia com as crianças”.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Às 10:29 por Unknown   Sem comentários


As dificuldades da tradução do Português para outras línguas, a literatura portuguesa e brasileira, e a proliferação de livros editados sem qualidade, foram alguns dos temas abordadas na conversa literária da noite de 5 de Maio, que teve lugar no auditório do Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira, com a presença de Andréa Zamorano, Inês Pedrosa e Michael Kegler.

Na sessão, moderada por João Morales, esteve presente uma turma de imigrantes que frequentam a aula de Português para Estrangeiros na Escola Secundária da Lourinhã.

Andréa Zamorano é luso-brasileira,  tendo nascido no Brasil e vive em Portugal há 23 anos. É autora do romance “A Casa das Rosas”, escrito com expressões em português do Brasil e de Portugal, numa linguagem que apelidou de híbrida. “A minha própria identidade tornou-se uma coisa híbrida. Eu não sou exclusivamente uma escritora brasileira”, comentou a autora.


Andréa Zamorano

Na opinião de Andréa Zamorano, actualmente há um grande interesse por parte dos brasileiros em relação à literatura portuguesa.

Inês Pedrosa, casada com um brasileiro, tem também uma grande ligação ao Brasil, um país que conhece muito bem e que a transformou como pessoa e escritora. “Sinto-me mais à vontade no Brasil do que em Portugal”, disse.


Inês Pedrosa

Inês Pedrosa, que foi directora da Casa Fernando Pessoa de 2008 a 2014, é autora de sete romances e, mais recentemente, de um livro de contos, intitulado “Desnorte”, entre outras obras.

Foi em torno da linguagem que se debruçou a primeira parte desta conversa literária, até porque contou com a participação de Michael Kegler, tradutor de obras em português para alemão.


Michael Kegler

Michael Kegler explicou como as partes de texto mais difíceis de traduzir são as que contêm calão, principalmente por ser para o Alemão, uma linguagem “muito mais concreta”.

Nesta sessão, Inês Pedrosa criticou ainda o facto de serem editados muitos livros sem qualidade que fazem com que as pessoas acabem por desistir de ler porque não encontram nada que lhes agrade. “Há uma grande falta de critério por parte dos editores”, considera.

Outra questão tratada pelos autores foi o facto de só poderem ser galardoados com o Prémio Nobel quando são traduzidos para sueco. Daí, também, a importância de existirem apoios estatais para a tradução das obras portuguesas.


João Morales

Às 08:46 por Unknown   Sem comentários


Os "Nódoa" fez uma actuação surpreendente na Biblioteca Municipal da Lourinhã, ao final da tarde de 5 de Maio, perante um público extasiado com o que estava assistir.

Este colectivo apresenta leituras musicadas de poemas de Alexandre O'Neill, Herberto Helder e Mário de Sá-Carneiro, entre outros poetas.

A leitura é feita por Paula Cortes e João Morales (programador deste festival), acompanhados musicalmente por Filipe Homem Fonseca e Diogo Picão (natural da Lourinhã). Foi ainda convidada uma aluna da Escola Secundária da Lourinhã para ler dois textos de Jorge Luís Borges.






Às 08:34 por Unknown   Sem comentários

A editora Cecília Andrade, com a escritora Rita Pedrosa
A apresentação de “Desnorte”, o mais recente livro de Inês Pedrosa, era o mote para a conversa com leitores que teve lugar na Biblioteca Municipal da Lourinhã na tarde de ontem, dia 5, mas falou-se também da obra anterior, “Desamparo”, cujo enredo passa-se na região Oeste.

“Desnorte” é um livro de contos mas, segundo a autora, foi “construído como um romance” e deve ser lido do princípio ao fim como tal, embora “possam também ser lidos um a um, como fragmentos”.

O livro começa com o conto “A Voz”, que é “muito curto e intimista” e nem pretende agarrar o leitor, mas acaba por ser um prefácio para os outros. É a história de uma jovem actriz que quer fazer Teatro, mas só tem trabalho em anúncios e como actriz de telenovelas. “Ela confronta os seus sonhos com as suas capacidades”, explicou.

Depois, a primeira série de contos tem a ver com relações familiares, seguindo-se histórias sobre relações íntimas e eróticas, terminando a falar da “projecção do Eu na sociedade”.
O título é o mesmo de um dos contos e acaba por representar todas as personagens do livro “que estão perdidos e à procura do seu norte”.

Na opinião da autora, a literatura contemporânea passa muito “pela escolha, porque nunca tivemos, como agora, num mundo aparentemente tão cheio de possibilidades, vivendo com a ilusão de que tudo nos é possível, mas isso acaba por ser opressor”. Isto porque, “nunca sabemos se a opção que fizemos – da profissão, do amor ou de outro país para viver, por exemplo – é a certa”.


Quanto ao livro “Desamparo”, tem como pano de fundo uma pequena vila, que a autora revelou ser inspirada em Óbidos, e fala de um país massacrado pela crise e pelas estratégias de sobrevivência desenhadas pelos seus habitantes.
“É uma história claramente política porque se centra no desespero que as pessoas estão a viver com a recessão”, disse Inês Pedrosa.


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Na tarde de 5 de Maio, os alunos da Academia Cultural Sénior da Lourinhã (ACSL) fizeram duas apresentações, no auditório do Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira, de uma pequena revista à portuguesa intitulada “Cá para mim… São gases”.

A divertida peça passava-se num centro de saúde em que várias pessoas esperavam pela sua vez para serem atendidas, desenvolvendo-se vários diálogos com situações caricatas e caraterísticas do dia-a-dia de cada um.

As duas sessões tiveram lotação esgotada, com muitas gargalhadas à mistura e um desempenho admirável por parte dos alunos de Português da ACSL, que protagonizaram esta dramatização com diversas figuras.


A actuação foi preparada especialmente para ser apresentada durante o Festival Literário “Livros a Oeste”.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Às 15:59 por Unknown   Sem comentários


A rir às gargalhadas. Foi assim que ficaram, durante quase uma hora, os alunos e professores que participaram nas duas sessões com Jorge Serafim, contador de histórias e humorista, que tiveram lugar hoje, 5 de Maio, no auditório do Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira e na EB 1 da Lourinhã.

Mediador de literatura há 22 anos, tendo começado na Biblioteca Municipal de Beja, Jorge Serafim tornou-se mais conhecido do grande público como humorista em programas de televisão, mas é a contar histórias que se sente melhor.

Tem percorrido todo o país, e não só, a contar contos tradicionais de todo o mundo, entre outras histórias, de uma forma sempre muito interactiva e com um humor peculiar.

Acompanhado de vários livros (entre os quais "Livro sem Bonecos" de B. J. Novak), com as histórias que vai contando, teve um grande sucesso entre os adultos e crianças da Lourinhã, que não queriam que as sessões terminassem.


No mesmo dia, Jorge Serafim esteve também na Biblioteca Municipal da Lourinhã a dinamizar um workshop denominado “Contar Para Respirar”, destinado a professores e educadores das escolas do concelho.




Nesta oficina de narração oral e mediação de leitura foram divulgadas ferramentas aos docentes para lhes permitir desenvolver um trabalho continuado na área da narração oral e dos sentidos dos contos, assim como na importância e mediação do livro e da leitura.

Na sua opinião, transmitir os contos populares às novas gerações é muito importante, porque “têm uma sabedoria incrível e funcionam como um ensinamento para a vida, porque falam de coisas difíceis, confrontando-os com a realidade do dia-a-dia”.


Jorge Serafim é autor de vários livros, o último dos quais intitula-se “Não há Seda nas Lembranças”. É um romance que narra a vida de um prédio onde cada inquilino tem uma dor para contar e que parte a partir da história de Maria Paloma, refugiada da guerra civil de Espanha. “É uma história extremamente pesada, mas ao mesmo tempo bonita”, comentou.