FESTIVAL LITERÁRIO - LOURINHÃ

quinta-feira, 5 de maio de 2016

Às 09:57 por Unknown   Sem comentários


Rita Ferro, João Morales e Inês Botelho

Duas formas de estar na escrita estiveram em diálogo na sessão de ontem à noite, 4 de Maio, intitulada “Crónicas Femininas”, que teve lugar no auditório do Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira, e que juntou Rita Ferro e Inês Botelho.

Enquanto Rita Ferro assumiu a sua forma visceral de escrever, revendo-se em cada uma das suas personagens, Inês Botelho procura sempre distanciar-se, enquanto pessoa, daquilo que escreve. “Há dois tipos de autor - o que pré-concebe tudo o que vai escrever e há outro que começa a tocar piano e segue a flauta, que é o meu caso, que começo um livro e quando chego ao fim não sei como vou resolver o enredo”, explicou Rita Ferro.

Ambas discordaram também na forma como vêm a escrita feita por mulheres. Para Inês Botelho, por princípio, não existe uma escrita masculina e outra feminina. “Não temos assim tantas diferenças, o que acontece é que a nossa percepção, do masculino e feminino, é muito influenciada pela sociedade”, considera Inês Botelho. Já Rita Ferro, considera que existe mesmo uma grande diferença e criticou os escritores masculinos por terem uma ideia muito lírica das suas personagens que são mulheres.

O moderador, que leu vários excertos das obras das autoras presentes, deu mais destaque às obras mais recentes de Rita Ferro, com um cariz auto-biográfico, na qual a escritora conta uma série de memórias. Um exercício que Rita Ferro aconselha a todos a passarem para o papel as suas próprias histórias.  “Todos nós temos vivências incríveis que deveriam ser escritas”, disse.

Rita Ferro
Oriunda de uma família aristocrata, Rita Ferro explicou que foi sempre mais rebelde. Os seus livros acabam por transmitir vários aspectos reais das chamadas “tias de Cascais”, e da “tribo” que dela faz parte. Aproveitou mesmo para contar pequenos detalhes como “nunca dizem garagem, dizem garage”.

Na sua opinião, este  meio social é racista, por ter medo de outras raças, mas ao mesmo tempo “altamente cristão e muito generoso”.

Inês Botelho
Inês Botelho é autora de vários romances, com uma atenção especial para o Fantástico. Recentemente colaborou numa compilação de contos em torno do Mosteiro da Batalha. Este último desafio fascinou-a muito, por ter tido a oportunidade de conhecer aquele monumento nacional de uma forma tão intensa.

Com 29 anos, a autora procura nas suas obras dar uma imagem mais positiva da sua geração, ao qual considera que se associa uma falta de interesse pelo mundo em volta e pela Cultura.


A escritora Alice Vieira, cuja presença estava prevista, não pôde comparecer por motivos de saúde.

0 comentários:

Enviar um comentário