FESTIVAL LITERÁRIO - LOURINHÃ

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Às 10:29 por Unknown   Sem comentários


As dificuldades da tradução do Português para outras línguas, a literatura portuguesa e brasileira, e a proliferação de livros editados sem qualidade, foram alguns dos temas abordadas na conversa literária da noite de 5 de Maio, que teve lugar no auditório do Centro Cultural Dr. Afonso Rodrigues Pereira, com a presença de Andréa Zamorano, Inês Pedrosa e Michael Kegler.

Na sessão, moderada por João Morales, esteve presente uma turma de imigrantes que frequentam a aula de Português para Estrangeiros na Escola Secundária da Lourinhã.

Andréa Zamorano é luso-brasileira,  tendo nascido no Brasil e vive em Portugal há 23 anos. É autora do romance “A Casa das Rosas”, escrito com expressões em português do Brasil e de Portugal, numa linguagem que apelidou de híbrida. “A minha própria identidade tornou-se uma coisa híbrida. Eu não sou exclusivamente uma escritora brasileira”, comentou a autora.


Andréa Zamorano

Na opinião de Andréa Zamorano, actualmente há um grande interesse por parte dos brasileiros em relação à literatura portuguesa.

Inês Pedrosa, casada com um brasileiro, tem também uma grande ligação ao Brasil, um país que conhece muito bem e que a transformou como pessoa e escritora. “Sinto-me mais à vontade no Brasil do que em Portugal”, disse.


Inês Pedrosa

Inês Pedrosa, que foi directora da Casa Fernando Pessoa de 2008 a 2014, é autora de sete romances e, mais recentemente, de um livro de contos, intitulado “Desnorte”, entre outras obras.

Foi em torno da linguagem que se debruçou a primeira parte desta conversa literária, até porque contou com a participação de Michael Kegler, tradutor de obras em português para alemão.


Michael Kegler

Michael Kegler explicou como as partes de texto mais difíceis de traduzir são as que contêm calão, principalmente por ser para o Alemão, uma linguagem “muito mais concreta”.

Nesta sessão, Inês Pedrosa criticou ainda o facto de serem editados muitos livros sem qualidade que fazem com que as pessoas acabem por desistir de ler porque não encontram nada que lhes agrade. “Há uma grande falta de critério por parte dos editores”, considera.

Outra questão tratada pelos autores foi o facto de só poderem ser galardoados com o Prémio Nobel quando são traduzidos para sueco. Daí, também, a importância de existirem apoios estatais para a tradução das obras portuguesas.


João Morales

0 comentários:

Enviar um comentário