FESTIVAL LITERÁRIO - LOURINHÃ

segunda-feira, 9 de maio de 2016

Às 01:42 por Unknown   Sem comentários



A propósito da reedição de “Não Percas a Rosa”, de Natália Correia, a Biblioteca Municipal da Lourinhã foi palco de uma intensa conversa sobre a autora e a sua vivência antes e depois do 25 de Abril, no período quente do PREC (Processo Revolucionário em Curso).


A corajosa reedição da “Ponto de Fuga”, uma editora criada em 2014 por Vladimiro Nunes, foi muito elogiada pelos escritores Vergílio Alberto Vieira e João de Melo, oradores desta apresentação.

João de Melo

 “Esta é uma edição de grande coragem. É um livro compacto, polémico e muito personalizado na figura de Natália Correia”, referiu João de Melo, explicando que se trata de uma obra muito singular.


O livro está dividido em três partes, sendo a principal o diário de Natália Correia do período entre a noite de 24 de Abril de 1974 e 20 de Dezembro de 1975, no qual acompanha a revolução portuguesa. Paralelamente ao diário, fazem parte do livro também uma selecção de crónicas publicadas nessa altura no jornal “A Capital” e um anexo com vários manuscritos da época.


João de Melo, que foi amigo de Natália Correia, contou vários episódios caricatos que viveu com a poetisa, os quais demonstraram a forte figura que esta era. O escritor salientou ainda que Natália Correia, que foi também deputada na Assembleia da República, tinha um trabalho multifacetado, que ia do Teatro à Poesia, incluindo investigação literária e o romance.

Virgílio Alberto Vieira


Embora não tenha conhecido pessoalmente Natália Correia, o poeta Virgílio Alberto Vieira disse ter descoberto melhor “o universo” da escritora, depois de ter conhecido o seu ex-companheiro, Dórdio Guimarães. “Foi uma mulher que se assumiu como tal e que pagou caro a sua rebeldia antes do 25 de Abril, mas também depois”, disse.


“Ela tinha um estilo inconfundível e uma grande capacidade de mudar de género literário sem por em causa a sua qualidade e o alcance do seu discurso”, concluiu.

Vladmiro Nunes

Vladmiro Nunes, da “Ponto de Fuga”, fez questão de explicar que para si fazia todo o sentido de publicar este livro, por este falar sobre o valor absoluto da Liberdade. O editor contou ainda que, pelo que viu no espólio de Natália Correia, a maior parte da escrita que aparece do diário foi feita de forma espontânea e teve poucas correcções.

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