FESTIVAL LITERÁRIO - LOURINHÃ

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Às 08:34 por Unknown   Sem comentários

A editora Cecília Andrade, com a escritora Rita Pedrosa
A apresentação de “Desnorte”, o mais recente livro de Inês Pedrosa, era o mote para a conversa com leitores que teve lugar na Biblioteca Municipal da Lourinhã na tarde de ontem, dia 5, mas falou-se também da obra anterior, “Desamparo”, cujo enredo passa-se na região Oeste.

“Desnorte” é um livro de contos mas, segundo a autora, foi “construído como um romance” e deve ser lido do princípio ao fim como tal, embora “possam também ser lidos um a um, como fragmentos”.

O livro começa com o conto “A Voz”, que é “muito curto e intimista” e nem pretende agarrar o leitor, mas acaba por ser um prefácio para os outros. É a história de uma jovem actriz que quer fazer Teatro, mas só tem trabalho em anúncios e como actriz de telenovelas. “Ela confronta os seus sonhos com as suas capacidades”, explicou.

Depois, a primeira série de contos tem a ver com relações familiares, seguindo-se histórias sobre relações íntimas e eróticas, terminando a falar da “projecção do Eu na sociedade”.
O título é o mesmo de um dos contos e acaba por representar todas as personagens do livro “que estão perdidos e à procura do seu norte”.

Na opinião da autora, a literatura contemporânea passa muito “pela escolha, porque nunca tivemos, como agora, num mundo aparentemente tão cheio de possibilidades, vivendo com a ilusão de que tudo nos é possível, mas isso acaba por ser opressor”. Isto porque, “nunca sabemos se a opção que fizemos – da profissão, do amor ou de outro país para viver, por exemplo – é a certa”.


Quanto ao livro “Desamparo”, tem como pano de fundo uma pequena vila, que a autora revelou ser inspirada em Óbidos, e fala de um país massacrado pela crise e pelas estratégias de sobrevivência desenhadas pelos seus habitantes.
“É uma história claramente política porque se centra no desespero que as pessoas estão a viver com a recessão”, disse Inês Pedrosa.


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